Sorry Brasil, mas escolhi ficar

Quando o tom parece um desabafo da alma demoramos aceitar o que coração diz, demoramos para acreditar e entender que no fundo, não somos simplesmente pessoas egoístas que desfruta de uma vida na Europa.

1 ano e meio atrás eu saia do Brasil com lágrimas que pareciam eternas, vi uma família inteira no aeroporto se agarrando a mim como nunca, vi nos olhos do meu pai a mesma tristeza que se vê nos olhos de alguém que sofre calado, doeu e ainda dói, duvido muito que isso irá mudar um dia, mas não é sobre dores que quero falar.

Quando saímos do lado do nossa família, amigos, rotina, trabalho a vida simplesmente renasce e não acredito que o motivo seja porque estávamos presos, mas sim porque não nos conhecemos de verdade.

Olhei para mim mesma e vi quantos medos acumulados tinha, olhei para mim mesma com olhos maternos e me dei a chance de me perdoar por “deixar tudo para trás” e me aventurar no desconhecido.

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O medo do julgamento demorou para sair do meu coração, a aceitação própria veio com o tempo, o coração foi se enchendo de garra e perdendo aquele background depressivo. Ouvi meus sonhos, desejos, intuição, ouvi Deus, ouvi aqueles que me amam, apoiam, ouvi que a crise existe e que você também quer vir pra cá.

O excesso de cobrança me fez acreditar que eu não conseguiria, afinal lavar banheiros e ser babá não parecia ser o melhor cenário, e não é, mas é sendo babá, cleaner e fazendo estágio na minha área que eu moro bem com meu marido, que cozinhamos juntos, fazemos compras, dançamos na sala e bebemos vinho ao som das nossas musicas preferidas e é com todos essas “obrigações” que aprendi a ser forte, deixar de frescura e ainda trabalhar só de segunda sexta até ás 6pm.

Escolher ficar é muito diferente de não ter outra opção. Eu poderia voltar, seria feliz, mas no momento quero continuar me deliciando com as descobertas que tenho feito sobre meu eu e sentindo o ar fresco da Irlanda que para mim é como se Deus estivesse
ali dizendo: “Aguenta, Eu estou aqui”.

Se está vindo ou já chegou, simplesmente respire fundo e acredite que tudo vai ficar bem, nenhuma experiência é desperdiçada. O fato é que morar fora do seu país é para os fortes. Apenas não desista facilmente. 

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